
Diversidade foi a marca dessa edição da SNCT, que teve como tema a “Ciência no Brasil”. Bem ao lado do espaço ocupado pela exposição da Agência, técnicos do Instituto de Química da UFRJ criavam verdadeiras obras de arte, na demonstração sobre hialotecnia – técnica de moldagem de vidro com fogo. Mais adiante, o modelo do Demoiselle, de Santos-Dumont, mostrava um pouco do começo da aviação. No andar de cima, pinturas rupestres, astronomia, planetário e muito mais.
A proposta da Agência era mostrar um pouco da importância de inovar. Para isso, algumas das tecnologias que passaram por aqui ajudaram a mostrar, na prática, o que cada um da equipe tentava expor para os visitantes. O olhar de todos os envolvidos era de que cada criança e jovem que visitava o estande era um inventor em potencial, e devia acreditar nisso. Com a ajuda dos professores responsáveis, enviamos à feira exemplos de três projetos e tecnologias: Pro-Alga (projeto que tenta produzir álcool combustível a partir de macroalgas), Luminol UFRJ (tecnologia de identificação de sangue oculto) e Asfalto-Borracha (produção de asfalto a partir de borracha reciclada). Somente esse último não tem envolvimento direto com a Agência, mas não deixa de ser um exemplo de inovação, com impactos econômicos e ambientais.
As tecnologias
As amostras de algas nas garrafas representavam o Pro-Alga. O nome é referência ao Pró-Álcool, aquele de meados da década de 1970. Na época, o governo resolveu investir no etanol da cana-de-açúcar para substituir a gasolina, devido à crise do petróleo de 1973. Hoje, o projeto do professor Maulori Cabral tenta fazer o mesmo, mas, no lugar da cana, entre em cena as algas. O projeto ainda está em fase artesanal, mas as vantagens em relação à cana são evidentes; a expectativa é de uma produção seis vezes superior ao potencial da cana-de-açúcar.
Na mesma mesa, os corpos de teste do Asfalto-Borracha convidavam os visitantes a comparar texturas. “De que você acha que é feito esse bloco?” era a pergunta mais comum quando se aproximava um pequeno curioso. Terra, pedra e até massinha eram alguns dos palpites. Tudo menos pneu. O objetivo era mostrar como o que poderia ser lixo acabava se transformando em algo útil. Esse tipo de tecnologia já existe há décadas nos EUA, onde o produto foi inventado, mas se destacou na UFRJ quando um laboratório da Coppe supervisionou a aplicação do material em alguns trechos da Cidade Universitária, há poucos anos.
Por ser um produto controlado, o Luminol só pôde ser exposto por meio de vídeos, que demonstravam a aplicação da técnica na solução de crimes. O público jovem se identificava rapidamente, assim que a referência ao seriado CSI era mencionada. O que muitos não sabiam era que o Brasil é capaz de produzir uma substância semelhante a que os imbatíveis investigadores usam na série de TV, e ainda melhor: mais barata e que dispensa uso de luz especial para funcionar.

Aprender e inovar
Sem dúvida, explicar esses dados para crianças foi um desafio. Mas mesmo sem sair entendendo profundamente as técnicas de destilação, ou compreendendo o processo de reciclagem de pneus, com certeza os visitantes perceberam a importância de inovar. Para os adultos, que compareceram em maior número durante o fim-de-semana, foi uma oportunidade de conhecer melhor o trabalho desenvolvido na Universidade. Muitos ficaram animados com o Pro-Alga, ou se interessaram especialmente pelo material disponibilizado sobre patentes e marcas.
Um dos momentos mais marcantes da exposição aconteceu durante uma visita casual. Era quarta-feira e uma mulher se aproximou para conhecer o trabalho da Agência. Ela demonstrou interesse pelos projetos expostos, fez algumas perguntas, pegou alguns panfletos e foi embora. No dia seguinte, pela manhã, a mesma visitante retornou, dessa vez com sua irmã mais nova, e depois de ela mesma explicar as informações que ouviu no dia anterior, disse: “vim aqui para mostrar à minha irmã como é importante estudar, para poder um dia inventar coisas tão importantes como essas aqui”. Para Cristiano Costa, funcionário da Agência que esteve no estande nos dois dias, o episódio “valeu pela semana inteira”.
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